Este texto tem a perspectiva de analisar informações acerca do artigo “O pátio da escola: espaço de socialização”, da autoria de Maria Luíza Guillaumon Emmel, na revista Paidéia, cujo tema envolve o contexto social das crianças nas brincadeiras desenvolvidas no pátio da escola. Para Emmel (1996, p. 49), a pesquisa apresentada no artigo tem a finalidade de “investigar o potencial de um grupo de brincadeiras tradicionais infantis para desenvolver a competência social através de atividades motoras, corporais e de concentração.”
No que se refere à fundamentação. Emmel (1996, p. 49) elucida que o artigo,
[...] se justifica por focalizar uma área carente de dados, especialmente na realidade brasileira; por viabilizar uma contribuição científica sobre a real função da intervenção preventiva em um ambiente escolar pouco privilegiado e por se inserir dentro do enfoque profissional-pesquisador, gerando da própria ação profissional dados científicos relevantes para a retroinformação da mesma.
Diante das informações supracitadas, Emmel (1996, p. 48) menciona que é possível identificar que na “[...] hora do recreio, que seria de se esperar como o momento de liberação da energia acumulada, da atividade lúdica, é um período que também tem suas limitações.” Isso porque, em diversas escolas, os estudantes lancham na sala de aula por causa dos pequenos pátios disponíveis em boa parte das escolas.
Difundindo as informações, a metodologia aplicada envolveu a observação dos estudantes antes da aplicação do programa, em atividades lúdicas realizadas na escola durante os intervalos, brincadeiras realizadas por meninas (amarelinha) e pelos meninos (bolinhas de gude), por exemplo.
Para analisar o comportamento dos estudantes, Emmel (1996) dividiu o programa em atividades competitivas, de concentração e corporais, sendo que a coordenação das atividades foi acompanhada por estagiárias de terapia ocupacional.
Os resultados expostos demonstraram aprovação das crianças, pois as mesmas reproduziam as atividades em dias que não eram monitoradas. Segundo informações de Emmel (9996, p. 60), “No final do ano, algumas das brincadeiras que mais motivaram as crianças foram pintadas no chão do pátio e deixadas para as crianças brincarem sozinhas: Amarelinha, Garrafão, Boca de Leão e Círculo da Sorte.”
A quantidade de crianças envolvidas nas atividades foi aumentando gradativamente a cada aplicação do projeto. Em decorrência disso, houve uma maior organização dos grupos e estímulo à participação de meninos e meninas nas mesmas atividades.
Emmel (1996) concluiu que o projeto teve boa aceitação na escola, estimulando a
formação de novas amizades e o desenvolvimento de novas formas de contato com o outro. O reflexo dessa mudança foi sentido no comportamento geral do pátio. Já no final do primeiro semestre podia-se observar e ver relatados pelos professores e inspetores de alunos a diminuição nas gritarias e correrias pelo pátio (EMMEL, 1996, p. 60).
Desse modo, se o programa fosse difundido com maior intensidade na escola e replicada em outras instituições, o uso de espaços alternativos possibilitaria maior adesão dos estudantes. Assim, é possível “[...] inferir até que culturas que não dispõem de espaços alternativos de brincadeiras, têm maior urgência para vivenciar programas dessa natureza.” (EMMEL, 1996, p. 61).
As informações apresentadas no artigo permanecem atuais e oferecem subsídios que podem estimular, desde que as escolas possuam espaços externos com disponibilidade para a inserção de atividades lúdicas monitoradas por pessoas com competências específicas.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN de Educação Física, no que se refere ao Ensino Fundamental, avaliam contextos lúdicos como relevantes ao ensino e à aprendizagem dos estudantes, contanto que considerem
As situações lúdicas, competitivas ou não, são contextos favoráveis de aprendizagem, pois permitem o exercício de uma ampla gama de movimentos que solicitem atenção do aluno na tentativa de executá-los de forma satisfatória e adequada. Elas incluem, simultaneamente, a possibilidade de repetição para manutenção e por prazer funcional e a oportunidade de ter diferentes problemas a resolver. Além disso, pelo fato de o jogo constituir um momento de interação social bastante significativo, as questões de sociabilidade constituem motivação suficiente para que o interesse pela atividade seja mantido. (BRASIL, 1997, p.36)
Consequentemente, o estudo desenvolvido na escola apresenta relevante contribuição no impulso de um desenvolvimento sadio no processo educacional. Em vista disso, houve maior envolvimento dos estudantes no convívio com colegas e professores. Como resultado, o contexto educacional integrado às práticas escolares lúdicas contribuem para a autoestima dos estudantes (VYGOTSKY, 1984).Com relevante contribuição na elaboração de atividades escolares e estímulo às interações sociais, o diálogo entre as crianças, principalmente na hora do recreio, por meio de jogos proporcionou mudanças qualitativas.
Referência
BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física/SEF- Brasília:MEC/SEF. 1997.
EMMEL, Maria Luísa Guillaumon. O pátio da escola: espaço de socialização. Paidéia (Ribeirão Preto), [S.L.], n. 10-11, p. 45-62, ago. 1996. FapUNIFESP (SciELO). Disponível em: https://www.scielo.br/j/paideia/a/KnGjBY5LYJpGvbQF3rnfQBN/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 13 jul. 2021.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1984.
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