O Brasil, embora seja um país miscigenado, apresenta enorme desigualdade entre as classes que o constituem. No âmbito escolar, as relações étnico-raciais estão associadas à cultura que é repassada entre gerações, seja em casa ou na vivência em sociedade. No que se refere a isso, os currículos escolares precisam ser menos etnocentristas e aprimorados, com vistas a privilegiar uma formação diversa e plural de crenças e regionalismos, de modo a valorizar o multiculturalismo (SILVA, 2007).
Somente dizer que é contra o racismo não é eficaz. Ações que promovam o debate e a conscientização são primordiais. Para combater o preconceito e a discriminação entre as crianças, atividades que envolvam discussões raciais precisam estar em voga. Dessa maneira, faz-se necessário refletir sobre os aspectos inerentes aos sujeitos que são marginalizados pela sociedade. Assim, as práticas pedagógicas associadas aos estudantes podem dinamizar “[…] o seu mundo a partir destas relações com ele e nele; vai criando, recriando; decidindo. Acrescenta algo ao mundo o qual ele mesmo é criador. Vai temporalizando os espaços geográficos. Faz cultura” (FREIRE, 2008, p.69).
O professor pode utilizar-se de práticas pedagógicas interativas, tais como preparar uma apresentação teatral lúdica com o tema muticulturalismo na sociedade brasileira, onde os estudantes de diversas etnias protagonizam situações envolvendo direitos humanos. No contexto, podem ser dramatizados eventos ou situações de racismo estrutural, que muitas vezes ocorre de maneira considerada natural nos ambientes escolares ou sociais. Outra atividade que pode ser aplicada é a criação de um fórum deliberativo sobre experiências reais envolvendo agressões verbais ou físicas, de modo que o professor estimule o reconhecimento das situações e o respeito ao multiculturalismo, salientando que os indivíduos possuem a mesma relevância e direitos diante de uma sociedade plural.
Figura 1 – Representação multirracial de estudantes.
Fonte: pt.dreamstime.com
Como resultado, o sentimento de pertencimento dos estudantes no cotidiano de uma sociedade igualitária, desafiando os grupos ao diálogo e inserção no contexto e espaço de sua história social, superando determinados saberes (FREIRE, 2000). Assim sendo, os professores não podem ficar inertes. Para que a escola cumpra seu papel social de modo a elevar a autoestima dos estudantes, os mesmos devem receber subsídios para desenvolver o sentimento de pertencimento e da racionalidade.
Referências
FREIRE, Paulo, Educação e mudança. 31ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. Paz e Terra, Rio de Janeiro, 2000.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2 ed. Autêntica, Belo Horizonte, 2007.
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